A história é muito antiga, foram vários anos de rumores e “certezas” desmentidas posteriormente sobre a vinda do Radiohead às terras brasileiras e todos estes anos esperamos (o que eu julgava serem poucas pessoas) um show destes ingleses que tiveram o seu álbum Ok Computer de 1997, considerado por muitos críticos como melhor álbum dos últimos 20 anos e presença marcada em listas sobre o que você deve ouvir, contudo, se você não conhece Radiohead, já está na hora de procurar alguma sobre os caras e a ultima coisa que vou falar aqui sobre isso é que o ultimo álbum dos “gentlemen”, o aclamado “In Rainbows”, foi indicado a vários prêmios do Grammy 2008 além de inovar sendo o primeiro grupo (pelo menos de grande porte) a liberar um cd para download na integra pelo preço que o fã desejar pagar.

Sigamos para o tão esperado 22/03, sim, eles estão aqui e não corremos o risco do show ser cancelado, pois já tocaram no Rio de Janeiro, e como todo fã que se preze, já soube do set list e já sei o que nos aguarda.
A chuva anunciada pela previsão do tempo e que peguei na estrada simplesmente se dissipou quando chegamos a São Paulo, e mesmo o lugar incompatível com uma banda deste porte não desanimou os fãs que se reuniam à frente do palco ainda nos últimos retoques de montagem as 15:00. O DJ é horrível, deveria ter-nos deixado sem ouvir nada. A expectativa continua.
Los Hermanos
Há quem diga que temos bandas melhores para abrir o show do Radiohead: mentira!!! Após os primeiros acordes e sopros de “Todo Carnaval Tem Seu Fim” os cariocas já haviam ganhado o público, um Camelo como sempre contido e simpático e um Amarante cada vez mais divertido, esquisito e solto. Depois o Little Joy ele vem com uma confiança inacreditável no palco, fazendo suas danças e esquisitices.
O Los Hermanos se mostrou muito enérgico, com uma presença de Rodrigo Barba na bateria muito mais aparente e depois de algum tempo sem tocarem junto, parece que as influências de cada um fizeram muito bem ao som do grupo.
O show deles contou com poucos hits ( se é que se pode dizer isso de algo dos hermanos além de Primavera e Ana Julia) e com várias surpresas, dentre elas Cher Antoine.
Esperamos uma volta à altura do que já fizeram antes, mas se não for possível, já mataram um pouco da saudade que havia em nossos corações.
Robots
Sai Los Hermanos e sua aparelhagem entram 4 controladores Midi e 4 Laptops, só isso! Um som eletrônico vai aumentando aos poucos, 4 figuras de preto entram no palco: “MAN – MACHINE – SEMI- HUMAN – BEING”. Não precisou de mais nada, o Kraftwerk mostrou com uma seqüência de 14 músicas que a música eletrônica também é arte quando bem feita.
As imagens hora retro, hora futurísticas acompanharam “Man Machine”, “Tour de France”, “Autobahn” e “Trans-Europe Express” até que o grupo deu lugar a 4 robôs (sim robôs, para apresentar “Robots”.
O quarteto volta vestido de preto e verde-neon para apresentar “Aero Dynamik” e saem um a um em “Music Non Stop”. Já estamos aquecidos…
Catarse num Show Apoteótico
Pontualmente às 22:00 (como todo bom iglês) , entra um Colin Greenwood todo animadinho , pulando e aplaudindo, uma simpatia só, do lado de cá, os simples mortais gritam e começa “15 Step”, Thom canta cheio de esquisitices, “There There ” o que é isso, é a segunda música do show e já estou extasiado, Jonny Greenwood e Ed O’Brien ajudam Phil Selway com mais dois tons de bateria cada um na incursão tribal, “Boa Noitche” de lá do palco “Boa Noite” grita o coro de 30 mil pessoas.
Com 3 telões e uns tubos parecendo umas estalactites sobre o palco, dava até para ver o set de pedais do O’Brien , tudo muito lindo, maravilhoso, realmente o Radiohead estava ali. Pode parecer exagero, mas para quem esperou tanto este show, realmente custou a acreditar.
Segue “The National Anthem” e neste momento eu penso “Meu Deus, eles estão tocando “Kid A”. Tudo bem que no Rio de Janeiro eles tocaram muitas músicas do “The Bends” mas niguém me paga o prazer de ouvir as músicas do “Kid A” ao vivo.
Continua o show com “All I Need” , afinal, esta é a turnê do “In Rainbows”, vamos ouvir muito deste cd, o que é ótimo! A seguir, “Pyramid Song” e “Karma Police” , todos cantam junto mas ao mesmo tempo ouvem Thom cantando , é uma coisa indescritível.

Segue “Nude” e a melhor do “in Rainbows”: “Weird Fishes/Arpeggi” que ainda melhor ao vivo, neste momento, meu amigo Wall disse, tenho que tirar uma foto você assim, eu estava em transe.
O show continuou impecável com Jonny roubando a cena várias vezes, sendo com um ataque de timidez ao não querer falar ao microfone, mexendo em suas parafernálias ou colocando um radio à pilha sintonizado em alguma radio local para tocar entre alguns intervalos dentro das músicas.
Um momento bacana foi quando Thom apresentou Jonny que retribuiu da mesma forma e tocaram a acústica “Faust Arp”.
“Idioteque ” transformou a chácara do Jokey em uma Rave roqueira e terminou com Thom jogando o pedestal com o microfone no chão: Demais!
“Exit Music (For A Film)” deixou todos em silêncio com tanta singeleza e por fim “Bodysnatchers” fecha o show mas ninguém vai voltar pra casa assim e os ingleses voltam com “Videotape” , “Paranoid Android “ com a platéia continuando a cantar ao final, o que fez com Thom viesse com o violão e fizesse um dueto com o público cantando “Rain down, rain down…”, impagável, “Fake Plastic Trees”, ouvi alguém dizer que “não fazia questão de ouvir, mas já que eles tocaram…”, sinceramente, coisa de gente tola, uma música como essa não surge todos os dias, fiz questão de ficar calado e ouvir cada som que veio daquele palco. Veio “Lucky”, “Reckoner” e acabou-se o show? Não, esperamos mais um bis, prontamente atendido com “House of Cards”, “You and Whose Army?” que foi sinistramente e ironicamente oferecida aos Yankees, e “Everything In Its Right Place” com direito à letra sendo transmitida abstratamente nas luzes tubulares do palco. Acaba o segundo bis e ninguém se move, depois de alguns minutos, volta Thom e diz “Acho que estão esperando por isso” e devido a nossa santa insistência somos recompensados por “Creep”.
Memorável! Creio que uma parte da minha alma ainda está lá. Ficamos a esperar uma volta mas este primeiro show do Radiohead no Brasil fez parte da uma história maior. Os Irlandeses do U2 perderam (só por um pouquinho, confesso) o posto de melhor show da minha vida.
Set List do Show
“15 Step”
“There There”
“The National Anthem”
“All I Need”
“Pyramid Song”
“Karma Police”
“Nude”
“Weird Fishes/Arpeggi”
“The Gloaming”
“Talk Show Host”
“Optimistic”
“Faust Arp”
“Jigsaw Falling Into Place”
“Idioteque”
“Climbing Up The Walls”
“Exit Music (For A Film)”
“Bodysnatchers”
1º Bis
“Videotape”
“Paranoid Android”
“Fake Plastic Trees”
“Lucky”
“Reckoner”
2º Bis
“House of Cards”
“You and Whose Army?”
“Everything In Its Right Place”
3º Bis
“Creep”
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