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HQ | A Piada Mortal e Coringa 22 April 2009 as 12:48 pm de Marcio

É muito bom estar de volta ao Blumerangue, já que, depois da minha estréia, fiquei afastado devido “Crise Organizacional de Idéias”: uma síndrome recém criada por mim e que na minha concepção é algo similar à “Crise do Segundo Álbum” nas bandas de Rock[bb]. Trata-se do caso clínico: você fica muito, mas muito empolgado mesmo com as novidades (no meu caso, o blog) que começa a ter idéias demais sobre as coisas e não consegue organizá-las em uma ordem racional e de fácil entendimento.

Recuperado da crise, quero expressar o quanto gostei da oportunidade de escrever aqui e compartilhar com todos os “Blumerangonautas” a satisfação de dividir algo com vocês. Obrigado a todas as pessoas que comentaram o meu post (através do blog e pessoalmente) e a equipe muito acolhedora do Blumerangue, mas, vamos ao que interessa:

Apresentação

13/04/09 -> é a partir desta data que a Globo inicia oficialmente a sua programação de 2009 (o Faustão apresentou a Cerimônia ontem) e aproveito a oportunidade para iniciar a minha programação no Blumerangue também. Se antes me iniciei postando sobre um show antológico sem nenhuma apresentação formal (se bem que na seção “Quem Faz” há um pequeno profile), senti-me na obrigação de falar um pouco mais sobre a minha proposta para o ano de 2009 antes de realizar novas publicações aqui.

Sou apaixonado por Música, Histórias em Quadrinhos e Cinema e compartilharei com vocês as novidades, minhas opiniões, comentários e sugestões sobre estes assuntos. E o que nos espera?

Hoje:

  • “A piada mortal” e “Coringa” – Duas Graphic Novels em edições de Luxo no Brasil

No Futuro Próximo:

  • Pop ou MPB? Discurso sobre a classificação musical no cenário musical nacional
  • O Amadurecimento das Histórias em Quadrinhos
  • Clássicos Musicais
  • Clássicos do Cinema

Fique ligado, haverá muito mais!

Batman: A Piada Mortal Edição Especial de Luxo

cor_01Novidade nas bancas e livrarias brasileiras, a Edição Comemorativa de 20 Anos foi lançada há 1 ano nos EUA e a DC não tinha previsão de lançá-la no Brasil, porém, no início do mês passado fomos agraciados não somente com este lançamento, chamado aqui de Edição Especial de Luxo, mas também uma edição em capa dura da graphic novel mais vendida do ano passado, nomeada simplesmente de “Coringa”.

Em se tratando de estória, “A Piada Mortal”, lançada originalmente em 1988, é um clássico absoluto e, dentre as tantas versões apresentadas (às vezes pelo próprio vilão) como a origem do Coringa, esta é a mais aceita pelos fãs, servindo também como base (juntamente com a estética de “O Cavaleiro das Trevas”) para o roteiro do aclamado filme[bb] do morcego no ano passado: “Batman: “O Cavaleiro das Trevas” do diretor Christopher Nolan.

“A Piada Mortal”, escrita por Alan Moore (Watchmen, V de Vingança, Do Inferno), arrasta-nos para dentro da mente do psicótico Coringa, decidido a provar para todos que é somente um dia ruim que separa um homem qualquer da loucura (e por assimilação, do próprio Coringa). Assim, somos levados através de flashbacks para a origem esquecida do vilão, o Capuz Vermelho, um comediante decadente que já teve família e foi um homem comum.

Não bastando a sordidez de seu plano, a vítima da sua experiência é nada mais nada menos que o Comissário Gordon, um dos maiores aliados do Batman. A frieza com que o Palhaço do Crime conduz o seu plano chega a atordoar os desavisados, acostumados com gibis inocentes como a Turma da Mônica. E sem entregar o final, apenas digo que é dúbio e surpreendente.

É uma revolução da qual não participei (já que em 88 tinha apenas 3 anos) mas que agora temos a chance de possuir em edição de luxo, porém, mesmo que a história principal seja o suficiente para justificar um lançamento deste porte, ela ainda conta com alguns extras: um prefácio por Tim Sale (autor de “Batman: O longo dia das bruxas” e a partir de 2006, consultor artístico da série “Heroes”), posfácio de  Brian Bolland (Artes, Cores e Capa), algumas artes originais do arquivo de Bolland, a mini estória “Sujeito Inocente”, a republicação da primeira estória (original de 1940) do Coringa e o fato mais marcante e polêmico desta edição, a total recolorização da arte original.

cor_02Em 1988, o trabalho de colorização realizado Higgins utilizava cores quentes e “modernas” para a época, e dessa vez, Bolland declarou que queria colorir a sua própria arte, priorizando cores frias. Seu trabalho é mais facilmente notado nos flashbacks, onde decidiu realçar apenas alguns objetos no cenário remetendo pouco a pouco ao clímax com o Capuz Vermelho. Ao lado, temos um comparativo com a versão recolorizada à esquerda e a original à direita. Alguns fãs xiitas taxaram este trabalho como “photoshopolizado” e sem a essência da obra. Eu, particularmente, noto na edição atualizada uma imersão mais condizente com a mente fria do Coringa. (clique na imagem ao lado para ampliar)

Simplesmente Imperdível! “Batman: A Piada Mortal Edição Especial de Luxo” tem 84 páginas e custa R$19,90.

Coringa

Com um título simples e aproveitando a vibe gerada pelo bem sucedido filme lançado no ano passado, a DC publica agora no Brasil, esta que foi a Graphic Novel mais vendida do ano passado nos EUA.

cor_03Assim como sugere o título, estamos frente a uma estória focada no Coringa onde diferente de “A Piada Mortal” (com os fatos desenterrados da mente do Palhaço), os acontecimentos são narrados através da visão de Jonny Frost, um bandidinho de segunda que se oferece para literalmente buscar o Coringa, recém libertado, sabe-se lá o porquê, do Asilo Arkham (para os não iniciados em Batman, este é mais um dos ícones mitológicos do mundo do herói, um manicômio-prisão da escória da cidade).

Começa então a escalada do rapaz pelo mundo do crime e junto com ele, mais uma vez viajamos por uma Gotham City através da visão do submundo. Não estamos vendo os planos do herói para impedir o crime, ao contrário, vemos o crime planejando – não derrotar o herói, o que o Coringa quer com o Batman é deixá-lo louco, atingi-lo de outra forma – recuperar a sua posição, seu território.

Visitamos os lares de cada vilão: Duas-Caras, Pingüim, Harley Quinn, Charada, Crocodilo, e a cada visita, entendemos (ou não, o que é melhor!) as motivações e os tormentos de um criminoso mais parecido com um cachorro louco, de fato, um agente do Caos, mas também um ser doente, viciado em pílulas, solitário e o vemos chorar durante a sua subida para o topo da rede de crimes da cidade.

cor_04O “Coringa” de Brian Azzarello (roteirista premiado por “Superman: Pelo Amanhã”) e de Lee Bermejo (Arte, “Lex Luthor: O Homem de Aço”) é um daqueles objetos flutuando entre a cultura pop e a sutil beleza das obras primas. A Gotham recriada por Bermejo possui um traço altamente impactante e a cidade é continuamente melancólica. O Sol está sempre se pondo e o artista ainda nos reserva algumas artes finais sublimes em alguns pontos-chave da narrativa (exemplo, a saída do Coringa do Arkham, a primeira vez que a bela loira se revela como Harley Quinn e o momento da ÚNICA frase do Batman na HQ, tão carregada de ressentimento, beira ser tão maldoso quanto o próprio Coringa).

Mesmo que esta estória tenha começado a ser escrita antes do filme de 2008, o visual dela foi altamente inspirado no Coringa de Heath Ledger e para a o orgulho dos brasileiros, Bermejo utilizou até o sucesso nacional “Cidade de Deus” (veja ao lado) como base para uma cena da HQ. Apenas para retirar qualquer idéia que possa passar pela cabeça, isto não é plágio, utilizar fotografias como referência fotográfica é algo comum nas Histórias em Quadrinhos, vide os arquivos de Bolland em “A Piada Mortal” onde encontramos um auto-retrato dele frente a um espelho para a arte da capa.

Coringa, pode não ter o mesmo charme que “A Piada Mortal”, devido ao fato de que as Histórias em Quadrinhos[bb] de hoje não precisam provar a sua maturidade, portanto, não é algo impactante (exceto os traços fantásticos de Bermejo) e nem revela algo tão surpreendente sobre vilão, porém, por ser mais uma imersão bem dirigida na mente do Coringa já é digna de constar em nossas coleções e é inegável tratar-se de mais uma HQ clássica para a mitologia do Batman. Vale à pena!

Coringa, que tem 100 páginas, papel de qualidade e capa dura, custa R$24,90 (Só por curiosidade, a edição original custava 19,90 doletas).

Marcio (Perninha) é fã de Regis Tadeu e por isso termina o seu post deste modo. Descobriu hoje que uma música da qual gosta demais desde pequenino chama-se “Eleanor Rigby” e foi gravada pelos Beatles em 1966. Ele pode ser encontrado no email marcio@blumerangue.com e se alguém mandar alguma mensagem para ele sobre os assuntos aqui apresentados, ele irá responder e talvez até publicar no próximo post.

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