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Ela acorda cedinho, veste sua roupa de ginástica e o iPod
e parte para a corridinha matinal. Meia hora depois está de volta, trocar roupa, tomar banho, cabelo, maquiagem e mais algumas coisas misteriosas que homem nenhum na Terra saberá o porque ela demorou tanto…
Trabalhar. Viajar para trabalhar. Almoçar. Encontrar contatos. Se atualizar no twitter, feed, blogs. Telefones.
Ufa, hora de voltar pra casa, ah mas ainda tem a academia.
Então ela chega em casa para ficar lá aproveitando o abraço do sofá, mas tem o jantar para preparar depois do banho. Lavar louça, ver algo legal na TV, brincar com a gatinha de estimação e… já cansou. Dorme para acordar cedo, afinal, tem corridinha amanhã de manhã.

Ele tá lá, acordando atrasado, correndo para pegar o mínimo de trânsito possível.
Trabalhar, viajar para trabalhar, viajar trabalhando. Almoço com os camaradas, ninguém é de ferro, mas tem que ser só uma horinha. De volta à labuta, ao twitter, às piadas com o amigo corinthiano, paquerada na musa do brasileirão, mais um pouco de telefone, RSS, blogs, emails e casa.
Bora para a academia, o choppinho do happy our com a galera de ontem tem que sair e amanhã tem futebol. Chegar em casa, banho, descongelar a lasanha, ver mais umas besteiras e o jornal na internet. Ouvir uma musiquinha, brincar com o violão, opa, hora de dormir para não pegar aquele trânsito que lhe atrasou quase uma hora, de novo.
Pois é, como tenho escutado que hoje tá difícil encontrar o tal do passarinho azul. Aquele que traz as borboletas que ficam na região abdominal do ser que leva uma maçã do amor na testa.
É muita gente querendo aproveitar ao máximo o tempo que já não tem para conhecer o máximo de gente possível, beijar o máximo de gente possível, acordar do lado do máximo de gente possível. Mas puts, amanhã tem tudo aquilo de novo, e provavelmente esquecerão o telefone um do outro dentro do bolso da calça que vai lavar. Isso se eles realmente se encontrarem algum dia pra tudo isso acontecer.
“Compromisso é coisa para os fracos”, podem dizer os baladeiros, embalados pela balada de aproveitar as poucas noites livres que os finais de semana lhes oferecem. A vida é curta.
É criançada, mais do que nunca, levar um coração dessa vida de meu Deus necessita de muita coragem. Tem que ser muito homem e tem que ser muito mulher. Tem que saber prestar atenção na vida, ao invés de só correr nas esteiras sem sair da frente do DVD
da Lady Gaga or something worst than this.
Se você sabe que é possível encontrar o outro pé do chinelo e quer realmente fechar o balanço e ficar tranqüilo curtindo a delícia que a solteirice nos proporciona, pare por aqui que já valeu a visita e você já pegou a idéia, espero eu.
Se você tá nessa de não acreditar mais nem em horário eleitoral, nem no Justin Bieber pedindo a Rihanna em namoro e nem que você pode mesmo se apaixonar, continue tentando ler…

Tem que ter compreensão e coragem mútuos. A vida não é pudim nem para um nem para o outro. É preciso paciência, tempo para prepararem um jantar juntos, irem trabalhar juntos vez em quando, dar uma corridinha lado a lado, tocar violão para ela, fazer uma massagem no namoradinho durante aquela sua séria favorita que tem 6 amigos malucos.
Se você acha que isso não existe, que sua vida não dá tempo pra isso, ou que nunca vai achar o cara do passarinho azul (êpa!) ou a mulher da sua vida, para e pensa: algum parafuso tá desapertado na tua vida.
E aí, quem tem coragem de viver?
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