Ontem foi comemorado o Dia Nacional do Design, data do aniversário de Aloísio Magalhães (que nasceu em Recife, no dia 05/11/1927), defensor do design nacional e um dos fundadores da ESDI (Escola Superior de Desenho Industrial), no Rio de Janeiro. A data foi instituida pelo então Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, e publicada no Diário Oficial em 20 de outubro de 1998.
Mas… e como anda o mercado do design nacional? O que se passa na mente dos estudantes e futuros profissionais? O que os designers, dos mais diversos segmentos (jogos, moda, gráfico, digital…) têm para compartilhar?
Foi pensando nisso que nós do Blumerangue tivemos a idéia de reunir esse pessoal em uma entrevista informal, onde cada um pôde falar um pouco da sua vivência em design.
5, 4, 3, 2, 1… AÇÃO!

Ser designer é ter a capacidade de julgar uma situação sem preconceitos e criar algo que interfira nessa situação da melhor maneira possível.
Ontem foi comemorado o Dia Nacional do Design. Como você vê o mercado de trabalho na região sul do país?
A profissão de designer, não só no sul do país, mas como no Brasil inteiro ainda é muito vinculada à criação, à estética. As agências de publicidade são ainda as que mais absorvem os designers, pois a grande maioria das indústrias ainda não percebeu o diferencial que o designer pode ter, não só no visual, como também na própria gestão da empresa.
Felizmente nos últimos anos temos visto grandes iniciativas de jovens designers que meteram a cara no mundinho fechado da comunicação catarinense e estão dando certo. São bons exemplos o Cafundó Estudio Criativo, de Floripa, feito por ex-alunos de design da UFSC; a Midia Effects, que presta serviços de web, também fundada por ex-alunos de design da UFSC; e o que considero o maior exemplo de empresa que está mostrando a importância do design em Santa Catarina, a Design Inverso, de Joinville, que já faturou vários prêmios nacionais e internacionais.
Uma outra grande empresa é a Whirlpool, dona das marcas Consul e Brastemp. Sua sede também é em Joinville, onde possuem um núcleo interno de design gráfico e design industrial para pesquisa e implementação de novos formatos, melhor ergonomia e até novos ícones para seus produtos.
Pra você, o que é SER designer?
Ser designer é principalmente ser um observador. Um designer não pode só ser capaz de criar coisas “bonitinhas” e operar bem o Photoshop e Illustrator. Ele tem de ser capaz de observar como as pessoas agem, como elas se vestem, o que elas estão procurando e extrair a essência disto para suas criações. Ser designer é ter a capacidade de julgar uma situação sem preconceitos e criar algo que interfira nessa situação da melhor maneira possível.
Você participou da organização de um dos maiores (se não o maior) eventos sobre Design do país, onde o principal público são estudantes. Você acredita que a grande maioria deles estava de fato comprometida com a futura profissão?
Nos encontros sempre tem os que vem pela festa, os que vem para discutir e os que vem para absorver algo em palestras e oficinas (eu já participei das 3 maneiras). A Conde de 2007 acreditava que os 3 tipos estão certos, pois o cara que vem para a festa pode conhecer gente e trocar idéia sobre a profissão, assim como o cara que vem ver palestra pode achar algo que instigue ele a discutir. O objetivo do encontro é fazer encontrar, e é dai que cada um monta seu próprio evento, onde de uma forma ou outra vai aprender algo sobre design, mesmo que aprenda que não é isso que ele quer fazer (pois não se iludam: designer trabalha pra c$@#$ e ganha pouco).
Concluindo, de um jeito ou de outro, uma pessoa que vem a um encontro de certa forma está comprometida com sua profissão, pois ela tem a possibilidade de conhecer pessoas, ver coisas novas, culturas diferentes…e como falei na resposta anterior, essa curiosidade nata é boa parte do caminho para ser um designer.
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Ao contrário do que muitos pensam, a moda é muito mais que tendência de consumo. Acredito que qualquer pessoa está inserida no mundo da moda.
Quais os caminhos que um futuro profissional de Moda pode seguir? Há espaço para novos profissionais aqui, ou o grande mercado ainda é o internacional?
Um profissional de moda pode atuar como modelista, estilista, produtor, styling, consultor de moda, em marketing de moda, produção de eventos…
Acredito que sim, há espaço para novos profissionais no Brasil, e inclusive ainda são poucos os que realmente fazem a diferença.
Um dos assuntos mais discutidos atualmente é sustentabilidade. É possível ser sustentável na moda também? Como?
Sim, é possível. Um dos grandes meios de ser sustentável no mercado de moda é buscar matérias primas totalmente reutilizáveis e naturais. Atualmente existem vários tecidos e aviamentos (entre outros materiais) com essa proposta. Repensar também em como será o beneficiamento do tecido, evitanto ao máximo substâncias que poluem o meio ambiente é um grande passo, além da reutilização de materiais. O problema é que infelizmente para ser sustentável hoje em dia – e acredito que seja em qualquer área – são os custos envolvidos, que muitas vezes dificultam o acesso destas empresas à soluções ecologicamente corretas.
Moda é mesmo para todos?
A palavra moda vem do latin modus e significa “modo”, “maneira”. Partindo deste entendimento, ao contrário do que muitos pensam, a moda é muito mais que tendência de consumo. Ela expressa valores – usos, hábitos e costumes – de uma determinada sociedade, pois é nela que tudo é permeado, ou seja, está entrelaçada com tudo o que acontece a nossa volta o tempo todo. Sendo assim, acredito que qualquer pessoa está inserida no mundo da moda, independente se a pessoa está “antenada” nas novas tendências ou não.
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Costumo dizer pra galera que essa experiência de estágio é uma “segunda universidade”.
Você acredita que boa parte da população ainda não sabe o que um designer faz ou isso já está mudando?
As duas coisas. Com o crescimento de eventos, exposições, novos designers destacando-se pelo mundo, o design acaba ganhando força e reconhecimento, mas não sei até onde vai esse reconhecimento; se é do público erudito ou da população em geral, já que outro fator é a banalização do design, onde cursos “de esquina” prometem formar “designers”, enquanto na verdade formam simples operadores de softwares gráficos, que não saberão conceituar um projeto para os clientes.
Há várias áreas em que um designer pode atuar, tais como ilustração, embalagens, web… Você acredita que a universidade tem o poder de preparar o estudante para todas elas?
Não. A universidade te dá uma noção de cada área. São muitas opções e 4 anos é pouco tempo para preparar o profissional para todas. Cabe a cada estudante identificar-se com um (ou vários) segmentos do design e procurar especializações.
Qual a dificuldade que um estudante encontra ao procurar estágio em São Paulo? Você acredita que as empresas estão de fato querendo ensinar e transformar esses estudantes em bons profissionais, ou só querem fazer uso da mão de obra mais barata?
A maior dificuldade de um estagiário de design em São Paulo é em relação a bolsa auxilio oferecida pela maioria das empresas/agências/escritórios, que é muito baixa. Além da exigência de que o estudante seja um super profissional, entendendo de Flash, Photoshop, Illustrator, Indesign, Dreamweaver, HTML, Action Script, cambalhota, mamíferos que habitam o Sul da África, geografia da Rússia… é bizarro!
Acredito que onde trabalho atualmente seja uma excessão. Desde que entrei na Leo, estou aprendendo mesmo. Até costumo dizer pra galera que essa experiência de estágio é uma “segunda universidade”, mas devo confessar que a bolsa auxilio poderia ser um pouquinho melhor… (risos)
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Ser Game Designer é entender de todas as áreas que envolvem um game. Não é só a parte gráfica ou a programação.
Como você vê o mercado nacional de Design de Games? Já é possível compará-lo ao mercado internacional ou ainda é cedo?
O mercado ainda está crescendo. Perto do mercado internacional ainda estamos em estágio embrionário, mas com mais empresas internacionais investindo por aqui, e com empresas brasileiras tentando achar o seu lugar, creio que temos futuro. O caminho é longo, mas temos que acreditar.
Pra você, quais os grandes nomes do design de games nacional? Ainda falta reconhecimento/aceitação do que é produzido aqui?
Eu acredito que o pessoal da Ovolo Games, que desenvolveu o jogo City Rain, conseguiu grande espaço na mídia nacional e internacional por terem produzido um jogo que, além de ser muito bem feito e divertido, ganhou o Imagine Cup, uma competição mundial promovida pela Microsoft.
Porém, precisamos valorizar os produtos desenvolvidos por aqui para que um dia possamos competir com o mercado que vemos lá fora.
Pra quem estiver pensando em cursar, o que pode esperar pela frente?
Sofrimento 
Ser Game Designer é entender de todas as áreas que envolvem um game. Não é só a parte gráfica ou a programação, mas precisa-se entender um pouco de roteiro, áudio, interfaces, etc.
Acima de tudo, também precisamos ter muita dedicação. Como a base de mercado brasileira ainda é pequena, precisamos começar a desenvolver por nós mesmos, no nosso tempo livre.
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Fazer estágio é primordial, pois é através desta experiência que você consegue levar o que aprende na prática, dentro da agência, para a sala de aula.
Quais as características um designer deve apresentar para trabalhar em uma grande agência?
Hoje para trabalhar em uma agência de nome, o básico que você precisa:
- Ter noções conceituais e não apenas técnicas;
- Criatividade, inteligência, qualidade e bom senso;
- Um portfólio para mostrar o que você já que fez;
- Ser um profissional flexível e saber respeitar a opinião de todos;
- Esquecer que tem um horário fixo de trabalho (risos);
- Responsabilidade, humildade e ética, são os atributos mais importante, pois eles que mostram se você é de fato profissional.
Como você vê o mercado nacional de modo geral? Há muita procura e pouca oferta? Fazer estágio durante o curso conta pontos no currículo?
Hoje o mercado está bem aquecido. Na época da crise, era menor o número de novas vagas, mas com o retorno dos investimentos, pode-se dizer que estamos tendo um crescimento extraordinário. A época que antecede o Natal é quando a demanda geralmente dobra e com a Copa de 2010 chegando, serão muitos jobs na certa.
Fazer estágio é primordial, pois é através desta experiência que você consegue levar o que aprende na prática, dentro da agência, para a sala de aula (lugar que você tem o direito de errar e o dever de aprender). Se você tiver oportunidade de estagiar durante o curso, agarre a vaga e não a deixe escapar! Não queira ser um formando procurando emprego, sem nunca ter atuado na área, pois com certeza as chances de você conseguir serão bem menores.
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Queremos agradecer o carinho e a atenção que todos tiveram com o Blumerangue, respondendo as questões e nos ajudando a construir este post, em homenagem a essa profissão que ainda é vista com olhos desconfiados por muitos, mas que está conquistando seu espaço em meio a um mercado tão competitivo.
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