
Quando o filme “Matrix” entrou em cartaz, em 1999 ele revolucionou o cinema, com efeitos especiais de altíssima qualidade e o inovador “bullet-time”, aquele efeito especial onde a câmera gira em torno de uma cena semi-congelada. Na realidade, não é bem a câmera que gira, mas não vim explicar o efeito especial em sí.
Mas com a chegada de “Matrix Reloaded” em 2003, a revolução foi outra: a comunicação. Não vou entrar no mérito da história da trilogia, mas uma coisa é certa: Para mim, a espera entre o segundo e o terceiro filme foi marcada por uma série de conversas, buscas pela internet, teorias… E por jogos de video-game (Enter the Matrix) e desenhos animados (Animatrix). O que os produtores fizeram é algo que eu creio que nunca havia sido feito: um cross-media para um filme.
Quem assistiu somente os 3 filmes, entendeu (ao máximo que é possível entender um filme como Matrix). Mas quem jogou o jogo de video-game, descobriu coisas que não foram contadas nos filmes. Quem assistiu aos desenhos do DVD Animatrix, aprendeu como as máquinas dominaram o mundo e como a Revolução começou. Ficou sabendo até quem é, exatamente, aquele carequinha que ficava carregando as malas do Neo pra lá e pra cá.
Nenhuma das informações são essenciais. Elas são apenas complementares. Mas elas dão uma sensação de envolvimento muito maior. Quando você é fã de alguma coisa, a sensação de pensar “Aaaah… Então foi assim que isso aconteceu…”
Hoje em dia, isso é bem mais comum. Séries como “Lost” e “Heroes” aproveitam o período entre uma temporada e outra (que costuma durar 8 ou 9 meses) para lançar ARGs (Jogos de Realidade Alternativa) com o intuito de liberar novas informações relevantes mas não essenciais sobre a história da série. E isso também mantem a atenção do fã, durante esse longo período de espera, diminuindo a chance de que ele perca o interesse pela série entre as temporadas.
E é isso, e muito mais, que Henry Jenkins escreve no seu livro “Cultura da Convergência”. Não vou postar link de nenhuma loja vendendo, para não fazer apologia, mas é só pesquisar no nosso amigo Google.
Leia o primeiro capítulo aqui.
É um livro que eu considero obrigatório para qualquer comunicador. Na minha modesta opinião, se alguém da área ler o livro e não concordar que vivemos em uma época de convergência, de cross-media e de consumidores que ditam o caminho… Essa pessoa é dinossaurica. :~
As mídias tradicionais são passivas. As mídias atuais, participativas e interativas. Elas coexistem. E estão em rota de colisão. Bem-vindo à revolução do conhecimento. Bem-vindo à Cultura da Convergência.
Henry Jenkins – Cultura da Convergência
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